domingo, 3 de abril de 2011

Careless Whisper

A verdade é que, nessas tardes, quando as nuvens carregadas intimidam o Sol do Rio de Janeiro e o tempo fecha assim, sem avisar às moças que circulam de biquíni pelo posto 9, o seu mistério se acentua.
É tão bonito, porque você também fica cinza, como a paisagem. E veste preto. E prepara um drink e falamos sobre coisas intensas. Eu digo que Dogville foi um dos filmes mais perturbadores que já vi e você, com um olhar frágil, diz que não teve coragem de rever o "Anticristo", ainda. Concordamos sobre o Lars Von Trier ser uma delícia de provocação e você levanta.
Enquanto escolhe o incenso, observo seus dedos, lentos, selecionarem dois ou três. Acendemos o primeiro naquela vela charmosa e, quando a chama se aproxima e o seu rosto esquenta, surpreendo aquele olhar frágil novamente em você.
Há muita beleza numa mulher forte que deixa escapar um olhar delicado. Os contrastes me seduzem, você sabe. Adoro preto e branco, doce e salgado, tapa com carinho.
Os contrastes potencializam e, por isso, em dias tão cinzas quanto esse, mulheres como você inspiraram os sólos de guitarra que escuto agora.

5 comentários:

* Nath . disse...

Sorte de quem te inspirou a escrever esse texto. Não é todo dia que se lê algo tão intenso assim...

Workshop disse...

Concordo com o comentário acima e acrescento: gosto do jeito que você descreve as coisas simples da vida. Sem nem precisar exagerar, coisa que sempre faço. Rs.
Beijos

Bárbara disse...

Bárbara Gontijo aí em cima!!!

Isadora disse...

Concordo com os dois comentários acima. Linda sua forma intensa de se expressar!

Tainá disse...

!!!!!!!!!!!!