quarta-feira, 2 de março de 2011

Sweet sixteen

sei que esse baque abarca um brejo fundo
onde você se tranca agora.
sei que se vinga do resto do mundo
calando a dor que te devora.

sei que isso te faz mais forte
e que há qualquer coisa de lindo na dor calada
mas deixe-me ver esse corte
e costurar sua ferida
com a experiência de quem já foi cortada.

pra suturar esse abismo
comece com umas doses de álcool,
para desinfetar.
tire essa roupa,
solte os cabelos,
deixe a meia luz esquentar o lugar.
faça um bom prato:
o cheiro de boa comida
é a vida em pleno ar.

nos primeiros dias
também é indicado
devorar um CD, de entrada.
a guitarra do BB King,
filet mignon do blues,
é macia de ser mastigada.

...

dias depois,
quando terminou a última faixa,
arrotando sólos de guitarra,
sentiu-se munida de uma dose a mais de vida.
ficou à sós com o silêncio
e contemplou a cicatriz do que antes era ferida.
num sussurro firme e abafado,
ela afirmou:
"essas são linhas do nosso passado."

4 comentários:

Carine disse...

Cada palavra sua só aumenta o orgulho que eu tenho de você!

Tainá disse...

linda.

Bárbara disse...

Que delicia, que delicia...

Linda!

Bárbara Gontijo disse...

Esse poema me lembra eu.
Rs.