domingo, 31 de maio de 2009

Metalinguagem




Meu primeiro lápis foi comido com patê.
Meus rabiscos eram em vão, do tipo que um niilista contemplaria.
Foi quando Ela me disse: faça das palavras seu glacê.
Então foi quase psicografia.
Misto de razão e coração,
Que só entende quem conhece o tesão da poesia.
E tal qual camaleão, sou da arte das mil faces;
Sou quem quero, quem não quero e quem me quer.
Abuso dos sujeitos; mudo de nome.
Sou conectivo do verbo mulher.

Mas se eu morro um pouco andando nas ruas,
Se a sujeira seca, seca minha inspiração,
Se eu chego em casa sem gula, sem luxúria e sem razão.
Ela vem debaixo do cobertor.
Vem sob a negra fumaça
E diz baixinho: morrer sem pecado é morrer na desgraça.
Então recolho as palavras perdidas e volto sem culpa pra minha raiz.
Imigrante de mim, abraço meu lar
Depois morro de novo; na frente da mira eu peço bis.
Tudo mentira.
Mas inspiração alguma resiste a uma atriz.

Tainá L.

4 comentários:

Karine Reis disse...

Foooda ! adorei adorei !

beijo, morena gata em extinçao

JOão Victor disse...

Metalinguagem. Certamente ando meio apaixonado pelo tema também. Intrigante e constante. A arte da escrita que mata e faz viver. A nossa cachaça de cada dia

Beatriz disse...

aaai, eu adoro essa! *-*
e as modificações ficaram ótimas.

te amo, babe.
beijoca.

www.diarioparaguaio.blogger.com.br

Thábata Thomé disse...

Noooooossa, babei aqui, minha amiga. Sensacional, sensacional :')