terça-feira, 24 de junho de 2014
One art
One Art
BY ELIZABETH BISHOP
The art of losing isn’t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn’t hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother’s watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn’t hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn’t a disaster.
—Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan’t have lied. It’s evident
the art of losing’s not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.
Elizabeth Bishop, “One Art” from The Complete Poems 1926-1979. Copyright © 1979, 1983 by Alice Helen Methfessel. Reprinted with the permission of Farrar, Straus & Giroux, LLC.
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Novamente
Fred Martins/Alexandre Lemos
Me disse vai embora e eu não fui
Você não dá valor ao que possui
Enquanto sofre o coração intui
Que ao mesmo tempo que magoa o tempo
O tempo flui
Assim o sangue corre em cada veia
O vento brinca com os grãos de areia
Poetas cortejando a branca luz
E ao mesmo tempo que machuca o tempo
Me passeia
Quem sabe o que se dá em mim
Quem sabe o que será de nós
O tempo que antecipa o fim
Também desata os nós
Quem sabe soletrar adeus
Sem lágrimas,nenhuma dor
os pássaros atrás do sol
As dunas de poeira
O céu de anil do pólo sul
A dinamite no paiol
Não há limite no anormal
É que nem sempre o amor
É tão azul
A música preenche sua falta
Motivo dessa solidão sem fim
Se alinham pontos negros de nós dois
E arriscam uma fuga contra o tempo
O tempo salta
Me disse vai embora e eu não fui
Você não dá valor ao que possui
Enquanto sofre o coração intui
Que ao mesmo tempo que magoa o tempo
O tempo flui
Assim o sangue corre em cada veia
O vento brinca com os grãos de areia
Poetas cortejando a branca luz
E ao mesmo tempo que machuca o tempo
Me passeia
Quem sabe o que se dá em mim
Quem sabe o que será de nós
O tempo que antecipa o fim
Também desata os nós
Quem sabe soletrar adeus
Sem lágrimas,nenhuma dor
os pássaros atrás do sol
As dunas de poeira
O céu de anil do pólo sul
A dinamite no paiol
Não há limite no anormal
É que nem sempre o amor
É tão azul
A música preenche sua falta
Motivo dessa solidão sem fim
Se alinham pontos negros de nós dois
E arriscam uma fuga contra o tempo
O tempo salta
quinta-feira, 8 de maio de 2014
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Viajar
Dizem que viajar é bom, mas que voltar pra casa é melhor ainda. Eu diria que viajar é bom, bom demais, mas ter motivos pra voltar é melhor ainda. Sentir que vai voltar pra encarar outra viagem, decolar nas asas da vida, do amor, pra sentir mais frio na barriga, e a volta ao mundo no colchão, você e eu.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Janela aberta
Janela vejo o mundo
que o calor anuncia
Sol nascente
Flanco transparente no vidro fumê
de outrora
Janela aberta nasci eu
Fresta no canto dela, ventania
sussurros
Janela aberta nasceu ela
Vidro fumê escancarado
Porta de incêndio
Explosão
Janela aberta
Eu posso ver, coração
Tua mesa e tua fome
que o calor anuncia
Sol nascente
Flanco transparente no vidro fumê
de outrora
Janela aberta nasci eu
Fresta no canto dela, ventania
sussurros
Janela aberta nasceu ela
Vidro fumê escancarado
Porta de incêndio
Explosão
Janela aberta
Eu posso ver, coração
Tua mesa e tua fome
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Babaca
Babaca - adj. e s.m.+f. Que é desinteressante ou irrelevante (conversa babaca). Pessoa boba, que se deixa enganar facilmente ou não tem atitude, desembaraço, vigor. Que é muito crédulo, abobado, pouco inteligente ou age de modo subserviente.
Trecho
"É assim mesmo: passar a mão pelo muro castigado
como se a mão passasse por coisa viva,
ou como se a mão, ao passar, passasse
à coisa contaminada a qualidade viva;
é exatamente isto: descer os olhos
pelo tronco da árvore qualquer da esquina
como se descessem por musculatura tensa,
como se, ao descerem, decifrassem
um vocabulário de líquens sem pressa;
não há outras palavras – me abrace, vá embora,
ninguém há de sentir falta e tudo pode ser
este pedaço de concreto na calçada."
Marcelo Diniz
como se a mão passasse por coisa viva,
ou como se a mão, ao passar, passasse
à coisa contaminada a qualidade viva;
é exatamente isto: descer os olhos
pelo tronco da árvore qualquer da esquina
como se descessem por musculatura tensa,
como se, ao descerem, decifrassem
um vocabulário de líquens sem pressa;
não há outras palavras – me abrace, vá embora,
ninguém há de sentir falta e tudo pode ser
este pedaço de concreto na calçada."
Marcelo Diniz
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