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segunda-feira, 18 de junho de 2012
Origem do cômico
"Se for levado em consideração que, durante centenas de milhares de anos, o homem foi um animal acessível ao medo no supremo grau e que para ele tudo o que fosse repentino, inesperado, significava estar pronto a combater, talvez pronto a morrer, que mesmo mais tarde ainda, em regime de sociedade, toda a segurança repousava no esperado, na tradição em termos de opinião e de atividade, não devemos nos admirar que, diante de tudo o que é súbito, inesperado, em palavras e em atos, quando se produz sem perigo nem dano, o homem fique aliviado, passe para o oposto do medo; o ficar trêmulo de medo, envolto em si próprio, se ergue rapidamente, se estende comodamente - o homem ri."
(Nietzsche - Humano, Demasiado Humano, Aforismo 169).
domingo, 16 de agosto de 2009
Pra quem sabe tudo
Hoje é o que temos. Amanhã é obscuro.
Talvez todos tenhamos a cegueira branca do Saramago, se falamos de futuro.
Um mar de leite.
Falamos tão claramente, temos todas as certezas, toda a rotina pré-determinada.
Mas o que há pode haver de concreto na fluidez de um mar?
A maré guiada pela lua e, como tal, instável, é concreta.
O seu barco de encontro ao meu nado, é concreto.
Vamos em direção a Ilha dos Amores, buscar o tesouro enterrado por uma criança doce.
Ao menos as fantasias no mar de leite são concretas.
Tainá, que ainda quer terminar isso decentemente, mas precisava escrever algo hoje, por conta do mar de leite.
Abaixo, trechos do filme "O amor além da vida". Dito por Robin Willians é de arrepiar.
Os céticos vão achar bobagem, e eu vou entender!
Mas, enxerguei nesse filme metáforas que se confundem com minha vida. E com outras também, talvez.
Enfim, que se fodam os céticos.
Pra quem entende:
"Eu sinto muito, querida.
Mas tem coisas que preciso lhe dizer e eu tenho pouco tempo.
Desculpe por todas as coisas que eu nunca lhe darei.
Nunca mais poderei lhe comprar um sanduíche de carne com molho extra.
Sempre o de tamanho maior.
Não irei mais fazê-la sorrir.
Eu queria que envelhecêssemos juntos. Dois velhinhos rindo juntos enquanto nossos corpos decaíam.
Juntos, no fim, perto do lago no seu quadro. Era nosso paraíso, lembra?
Há muitas coisas a se perder.
Livros, sonecas, beijos... e brigas.
Nós tivemos algumas fantásticas.
Eu agradeço até por elas.
Agradeço por toda a sua bondade.
Agradeço por nossos filhos. Pela primeira vez que os vi.
Agradeço por ser alguém com quem sempre tive orgulho.
Por sua coragem e por sua doçura.
Pela sua aparência, por querer sempre tocar você.
Você era toda a minha vida.
Peço desculpas por todas as vezes que lhe decepcionei.
Inclusive esta.
...
Aonde vamos, querida?
Em um minuto não saberei mais quem você é, assim como não sabe quem sou.
Mas estaremos juntos. Que é como deve ser.
...
Por ser tão maravilhosa que eu escolhi o inferno ao invés do céu só pra poder ficar com você.
...
ÀS vezes, quando se perde, se ganha."
;)
Talvez todos tenhamos a cegueira branca do Saramago, se falamos de futuro.
Um mar de leite.
Falamos tão claramente, temos todas as certezas, toda a rotina pré-determinada.
Mas o que há pode haver de concreto na fluidez de um mar?
A maré guiada pela lua e, como tal, instável, é concreta.
O seu barco de encontro ao meu nado, é concreto.
Vamos em direção a Ilha dos Amores, buscar o tesouro enterrado por uma criança doce.
Ao menos as fantasias no mar de leite são concretas.
Tainá, que ainda quer terminar isso decentemente, mas precisava escrever algo hoje, por conta do mar de leite.
Abaixo, trechos do filme "O amor além da vida". Dito por Robin Willians é de arrepiar.
Os céticos vão achar bobagem, e eu vou entender!
Mas, enxerguei nesse filme metáforas que se confundem com minha vida. E com outras também, talvez.
Enfim, que se fodam os céticos.
Pra quem entende:
"Eu sinto muito, querida.
Mas tem coisas que preciso lhe dizer e eu tenho pouco tempo.
Desculpe por todas as coisas que eu nunca lhe darei.
Nunca mais poderei lhe comprar um sanduíche de carne com molho extra.
Sempre o de tamanho maior.
Não irei mais fazê-la sorrir.
Eu queria que envelhecêssemos juntos. Dois velhinhos rindo juntos enquanto nossos corpos decaíam.
Juntos, no fim, perto do lago no seu quadro. Era nosso paraíso, lembra?
Há muitas coisas a se perder.
Livros, sonecas, beijos... e brigas.
Nós tivemos algumas fantásticas.
Eu agradeço até por elas.
Agradeço por toda a sua bondade.
Agradeço por nossos filhos. Pela primeira vez que os vi.
Agradeço por ser alguém com quem sempre tive orgulho.
Por sua coragem e por sua doçura.
Pela sua aparência, por querer sempre tocar você.
Você era toda a minha vida.
Peço desculpas por todas as vezes que lhe decepcionei.
Inclusive esta.
...
Aonde vamos, querida?
Em um minuto não saberei mais quem você é, assim como não sabe quem sou.
Mas estaremos juntos. Que é como deve ser.
...
Por ser tão maravilhosa que eu escolhi o inferno ao invés do céu só pra poder ficar com você.
...
ÀS vezes, quando se perde, se ganha."
;)
terça-feira, 7 de julho de 2009
Tela
Contemplo hoje o quadro de um desconhecido. A emergente colecionadora se emociona ao vender fotografias antigas em troca da art nouveau. Ela, aflita diante de um quadro sem autor, forja assinatura de renome; assina Álvaro de Campos na figura campestre. Pessoa, mestre fingidor, vibra.
Nunca vi heterônimo pintor, nem poeta que preste.
Contemplo então o corpo de uma desconhecida, a posar. Vejo agora a art nouveau fotografada. Ele te foca e faz da luz cores de deserto. Eu vejo.
Caminho firme e lanço a bússola do desencontro: nem sul, nem norte - à nordeste.
Atravesso a frente da lente. Te ponho nas costas, carrego teu corpo comigo.
Impeço a concretização de tamanho perigo; ninguém suportaria a eternidade do seu olhar.
Só os amantes.
Seu corpo foi feito pra um poeta assinar.
T. L.
Nunca vi heterônimo pintor, nem poeta que preste.
Contemplo então o corpo de uma desconhecida, a posar. Vejo agora a art nouveau fotografada. Ele te foca e faz da luz cores de deserto. Eu vejo.
Caminho firme e lanço a bússola do desencontro: nem sul, nem norte - à nordeste.
Atravesso a frente da lente. Te ponho nas costas, carrego teu corpo comigo.
Impeço a concretização de tamanho perigo; ninguém suportaria a eternidade do seu olhar.
Só os amantes.
Seu corpo foi feito pra um poeta assinar.
T. L.
sábado, 13 de junho de 2009
Analua

Por vezes, capturo comentários sobre minha embriaguez.
Falam sobre como vejo a vida de modo alheio, como de um palco com cortinas vermelhas e boa trilha sonora. Falam do modo como ironizo a ignorância e simpatizo com as minorias.
Dizem que vivo embriagada de arrogância e com os olhos vermelhos.
Que há demais?
Meus olhos vermelhos são frutos de noites de lua cheia, onde a luz me penetra e dói - mas eu gosto.
Tenho fotofobia e fodo com a lua a noite inteira, de olhos abertos.
T.L.
Falam sobre como vejo a vida de modo alheio, como de um palco com cortinas vermelhas e boa trilha sonora. Falam do modo como ironizo a ignorância e simpatizo com as minorias.
Dizem que vivo embriagada de arrogância e com os olhos vermelhos.
Que há demais?
Meus olhos vermelhos são frutos de noites de lua cheia, onde a luz me penetra e dói - mas eu gosto.
Tenho fotofobia e fodo com a lua a noite inteira, de olhos abertos.
T.L.
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