... e quando fecha a tranca, na fuga do barulho que a cidade grita por todos os cantos carros vendedores ambulantes ambulâncias ambivalências que piscam no asfalto, não cala o suspiro que faz sua boca, dormindo em mim.
Ela é linda enquanto dorme e - silêncio - olha só como acorda agora e sorri, desconfiada, assim que ouve o elogio.
Eu cá comigo mal consigo dormir com sua boca aqui dentro, mas tampouco se estivesse fora; ela toda me desperta.
Olho de novo: é incrível como vocês se parecem. Não, ela é você inteira, essa boca, em metonímia. E olha os lábios, como são bonitos. (é a expressão harmônica dos contrários: tão vermelhos, mas delicados. macios, mas precisos, firmes. o sorriso não extrapola e aparece tímido, mas delator)
Boca, sempre achei curioso o tom de cor que vocês têm. Por vezes, tenho a absoluta certeza de que não poderia ser outro, de jeito nenhum. Imagine só bocas azuis, quem sabe cinzas ou alaranjadas.
Não, não, bocas têm a cor que precisam.
E a textura, há que se falar da textura: é mesmo incrível que o corpo tenha dito: "osso aqui não, mas almofadas".
aiai, tudo parece num lugar tão certo quando se fala delas...; o que afinal faz sua boca dentro da minha cabeça?
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sexta-feira, 21 de outubro de 2011
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Que sejam mais tristes, pelo bem dos maus
um bom poeta ruim
não vale nada
até encontrar
um leitor doído
coração na ratoeira
lê poesia
de segunda
feira
e gosta.
faça um favor pro poema:
machuque um pouquinho
essa geleira, sim?
não vale nada
até encontrar
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coração na ratoeira
lê poesia
de segunda
feira
e gosta.
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
É dessas
Mosqueta, vi sua silhueta num livro de Baudelaire. Segue o quadro:
O desejo de pintar
Infeliz, talvez, seja o homem, mas feliz é o artista a quem o desejo dilacera!
Fico louco de vontade de pintar aquela que me aparece tão raramente e foge tão depressa quanto uma coisa bela inesquecível, atrás do viajante levado pela noite. E já faz tempo que ela desapareceu!
Ela é bela e, mais que bela, é surpreendente. Nela o negror é abundante: e tudo o que ela inspira é noturno e profundo. Seus olhos são duas cavernas onde cintila, vagamente, o mistério, e seu olhar ilumina como um relâmpago; é uma explosão nas trevas.
Eu a compararia a um sol negro, se se pudesse conceber um astro negro vertendo luz e felicidade. Mas ela faz mais facilmente pensar na lua, que, sem dúvida, a marcou com sua terrível influência; não a lua branca dos idílios, que parece uma fria noiva, mas a lua sinistra e embriagada, suspensa ao fundo duma noite tempestuosa, empurrada pelas nuvens que correm; não a lua pacífica e discreta que visita o sono dos homens puros; mas a lua arrancada do céu, vencida e revoltada, que as Feiticeiras tessalianas constrangem duramente a dançar sobre a relva aterrorizada!
Em sua pequena fronte habitam a tenaz vontade e o amor à presa. Entretanto, sob esse aspecto inquietante, onde as narinas móveis aspiram o desconhecido e o impossível, brilha, com inexprimível graça, o riso de uma grande boca vermelha e branca e deliciosa que faz sonhar o milagre de uma soberba flor que desabrocha em um terreno vulcânico.
Há mulheres que inspiram o desejo de vencê-las e de divertir-se com elas, mas essa dá vontade de morrer lentamente sob seu olhar.
(pequenos poemas em prosa)
O desejo de pintar
Infeliz, talvez, seja o homem, mas feliz é o artista a quem o desejo dilacera!
Fico louco de vontade de pintar aquela que me aparece tão raramente e foge tão depressa quanto uma coisa bela inesquecível, atrás do viajante levado pela noite. E já faz tempo que ela desapareceu!
Ela é bela e, mais que bela, é surpreendente. Nela o negror é abundante: e tudo o que ela inspira é noturno e profundo. Seus olhos são duas cavernas onde cintila, vagamente, o mistério, e seu olhar ilumina como um relâmpago; é uma explosão nas trevas.
Eu a compararia a um sol negro, se se pudesse conceber um astro negro vertendo luz e felicidade. Mas ela faz mais facilmente pensar na lua, que, sem dúvida, a marcou com sua terrível influência; não a lua branca dos idílios, que parece uma fria noiva, mas a lua sinistra e embriagada, suspensa ao fundo duma noite tempestuosa, empurrada pelas nuvens que correm; não a lua pacífica e discreta que visita o sono dos homens puros; mas a lua arrancada do céu, vencida e revoltada, que as Feiticeiras tessalianas constrangem duramente a dançar sobre a relva aterrorizada!
Em sua pequena fronte habitam a tenaz vontade e o amor à presa. Entretanto, sob esse aspecto inquietante, onde as narinas móveis aspiram o desconhecido e o impossível, brilha, com inexprimível graça, o riso de uma grande boca vermelha e branca e deliciosa que faz sonhar o milagre de uma soberba flor que desabrocha em um terreno vulcânico.
Há mulheres que inspiram o desejo de vencê-las e de divertir-se com elas, mas essa dá vontade de morrer lentamente sob seu olhar.
(pequenos poemas em prosa)
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