terça-feira, 9 de julho de 2013

Numa chuva de segunda

Cabelos já brancos, os mesmo olhos. Os olhos não mudam de cor com o tempo, já bastam os pêlos. Para alguns já basta a vida. Sabe-se lá quanto tempo os dois já viveram. Menos ainda o quanto já viveram juntos. Não parecem preocupados. Bebem vinho. Ou será conhaque? Depois de você, quase tudo é vermelho pra mim. Vejo as costas do homem, o cabelo bem cortado. Ele fala, e vejo as costas do braço falarem também. Ele gira a taça por entre os dedos, sacode o vinho - não o líquido, a cor. Sacode a cor e vira a taça na boca. Eu não vejo descer, mas sei que ele ainda queima. Eu sei que ele ainda queima com ela. O tempo não passa à mesa. Preciso escrever, preciso escrever sobre eles, preciso escrever sobre qualquer um que é, Marcelo, "sorria, você está sendo", como é bom escrever sobre que o está sendo, como é bonito ver uma taça esvaziar. Eu bebo enquanto o casal da frente se olha, e fico pensando: como é bom esquecer o tempo e beber com amor numa segunda-feira.

domingo, 7 de julho de 2013

Angústia

Meu olhar da prima caçula, 29 de junho

segunda-feira, 10 de junho de 2013

E a máxima é:

"A gente nunca sabe o que acontece quando a gente beija alguém!" M.D.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Sara Noriega

"O amor é tudo o que fazemos nus." G.G.M.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Nossa primeira aula de Filosofia: eterno retorno - Nietzsche Presente sobretudo no Zaratustra, mas que acompanha a obra inteira dele. Basicamente: você vive sua vida de modo que, se um dia, algo como uma entidade te sugerisse viver tudo novamente, vc permitiria que se repetisse? Melhor, como diz no livro, diante dessa proposta, diria: "ó, tu és um deus!" Ou: "ó, tu és um demônio!" Não quero invadir seu espaço... não precisa me responder, é q estava lendo sobre isso, e achei q vc ia gostar de pesquisar sobre o tema. Até pq é bem intenso, e interessante Me lembrou um poema q escrevi tbm, mas é melhor deixar pra outro momento, ou outra vida, quem sabe... Às vezes sinto um aperto de não saber o q está acontecendo com vc, como vai o inferno astral, se está feliz, se bebe só uma vez na semana, se tem caipirinha com adoçante, e se ele é bom ou se é ruim, e você prefere sem. Eu não queria que vc sumisse da minha vida, mas pode ser o melhor, pode ser o momento, tudo bem, a vida continua, só guarda: se o tal anjo me perguntasse, se poderia me condenar a viver tudo o que eu fiz até hoje, pro resto da vida, e pra eternidade, eu diria, sem dúvida, do alto da minha pouca religiosidade: "ó, tu és um deus" Faria tudo igualzinho. Tô aqui, sim? Por perto. Vou dormir. Beijo com carinho

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Eu preciso de

um pouco de prosa
pra não ter
prozac

domingo, 27 de janeiro de 2013

Melhores coisas do mundo

Vinho tinto
Dormir na chuva
Blues
Gargalhar
Queijo
Matar saudade
Escrever um poema
Ser inspirado
Inspirar
Comer
Viajar
O barulho do papel de pão
Fazer aniversário
Se apaixonar de novo, e de novo
Colecionar histórias de desconhecidos
Achar que acorda cedo, mas é feriado
Encontrar por acaso
Confiar em alguém
Ouvir música na ponte
Pôr-do-sol às 9 da noite
Surpresa
Sexo com quem ama
Achar dinheiro no bolso da calça
Fazer as pazes

(A terminar)

sábado, 15 de dezembro de 2012

Ah se

não você como se fosse tarde - como se não fosse sempre - como se perdesse tempo

não você como se fosse nuvem, como se já não fosse novembro, como se o mundo nunca acabasse

não você, como se vivesse pra sempre, como se não fosse raro, como se morresse de medo

não quero você, como se escorregasse, como se não fosse touro, como se abrir fechasse

ah, você como se fosse faca, o corte preciso da minha armadura

e em algumas noites, você como um escoteiro, o nó cego

da minha ternura

dias e outros, como se fosse uísque, remédio certeiro

pra qualquer cintura

como se nunca fosse fraca,

bem como quem faz da saudade que não morre a presença

de um corpo inteiro

não você como se fosse metade,

como se estivesse longe,

como se isso já não estivesse dado;

eu ainda te vejo como se queimasse

o tempo voa como as crianças

e na calçada bate a bola como quem também espera:

passe a passe,

traço a traço,

face a face