ai, tem dó
que viveu junto não pode nunca viver só.
ai, tem dó
mesmo porque você não vai ter coisa melhor...
não me venha achar ruim
porque você me conheceu assim
me diga agora
ora, ora,
não foi assim que você gamou.
você sabe muito bem
que mesmo louco assim
gamei também
me diga agora.
ora, ora,
será que alguém não foi quem mudou?
domingo, 12 de setembro de 2010
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Teoria da evolução
a maioria dos adolescentes quer ter cabelo liso, pra parecer mais com os outros adolescentes.
a maioria dos jovens quer ter cabelo curto, pra parecer mais velho.
a maioria dos adultos quer ter cabelo longo, pra parecer mais jovem.
...
a maioria dos velhos quer ter cabelo.
a maioria dos jovens quer ter cabelo curto, pra parecer mais velho.
a maioria dos adultos quer ter cabelo longo, pra parecer mais jovem.
...
a maioria dos velhos quer ter cabelo.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Bate
(Não pretendo dar uma de Fernando Pessoa e começar a escrever acerca do quanto tenho sido covarde. Sou do tipo que não gosta de divulgar fraquezas; não de forma descritiva, assim, tão clara, em 1ª pessoa. Mas, se pretendo voltar ao blog e, mais do que isso, voltar a escrever de forma necessária, é preciso romper este lacre. Ainda que seja posto como uma nota de página, há que ser dito e terminado. Não há assunto proibido.
Devo dizer, portanto, que tenho sofrido de algo que pode ser expresso por "falta de foco". Recuso-me a falar em "falta de inspiração". Aliás, tem sido até mesmo um período produtivo sob esse ponto de vista: vizinhos curiosos, rompimentos, alguns porres, boas festas...
Mas, fato é que não consigo terminar um texto que corresponda a uma de minhas inspirações desde meu último aniversário - movida por uma irritação digna de um inferno astral.
Penso que talvez minha capacidade crítica tenha minado minha confiança e vejo a Filosofia caber perfeitamente nos dois corpos que Sócrates atribui ao prazer e a dor, com uma só cabeça. Aliás, a única forma que me parece interessante falar sobre o que dói é, de fato, se o associo a algum prazer.
Por isso, e só por isso, ofereço minha cara literária ao seu tapa; bate. E, a cada estalo, mais me inspira).
Devo dizer, portanto, que tenho sofrido de algo que pode ser expresso por "falta de foco". Recuso-me a falar em "falta de inspiração". Aliás, tem sido até mesmo um período produtivo sob esse ponto de vista: vizinhos curiosos, rompimentos, alguns porres, boas festas...
Mas, fato é que não consigo terminar um texto que corresponda a uma de minhas inspirações desde meu último aniversário - movida por uma irritação digna de um inferno astral.
Penso que talvez minha capacidade crítica tenha minado minha confiança e vejo a Filosofia caber perfeitamente nos dois corpos que Sócrates atribui ao prazer e a dor, com uma só cabeça. Aliás, a única forma que me parece interessante falar sobre o que dói é, de fato, se o associo a algum prazer.
Por isso, e só por isso, ofereço minha cara literária ao seu tapa; bate. E, a cada estalo, mais me inspira).
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
18
É o tempo que te tem, menina.
o tempo me diz que rir da juventude é atestado de estupidez.
as décadas ridicularizam as piadas etárias, enquanto, você, tão moderno, enche a cara e abraça a constituição.
veste a carapuça da caretice. chama a polícia, porque tem menor bebendo uísque, enquanto você bebe alcatrão.
Digo, pois, que o maior problema de quem confunde maturidade e maioridade é o fim do horário de verão:
eis que, o desagradável da vez, percebe que uma hora não lhe faz a menor diferença.
é, nada mais, do que um tempo a mais pra pensar nos verões que passaram e nas novidades que parecem tão repetitivas hoje.
diante disso, ver você, que valoriza o florescer, ter uma hora a mais para ser interessante, é foda.
.............................
No tempo que passou, a maturidade foi tecida com cuidado, como vejo você tecer a sua, menina.
certas armadilhas nos fazem amadurecer rápido, você muito bem sabe.
o tempo fez de nós velhos jovens.
Velhos jovens que nauseiam diante da limitação imposta por valores morais antiquados, reforçados aos quatro cantos por pessoas pouco interessantes.
enfio nelas, agora, o gosto da maioridade.
e você, menina, goza.
olha como giram os ponteiros, na cadência que você gosta.
no atraso do relógio, os que não gozaram na hora passada são os mesmos que fazem piada da juventude.
então goza o tempo.
porque é o tempo que te tem, mulher.
o tempo me diz que rir da juventude é atestado de estupidez.
as décadas ridicularizam as piadas etárias, enquanto, você, tão moderno, enche a cara e abraça a constituição.
veste a carapuça da caretice. chama a polícia, porque tem menor bebendo uísque, enquanto você bebe alcatrão.
Digo, pois, que o maior problema de quem confunde maturidade e maioridade é o fim do horário de verão:
eis que, o desagradável da vez, percebe que uma hora não lhe faz a menor diferença.
é, nada mais, do que um tempo a mais pra pensar nos verões que passaram e nas novidades que parecem tão repetitivas hoje.
diante disso, ver você, que valoriza o florescer, ter uma hora a mais para ser interessante, é foda.
.............................
No tempo que passou, a maturidade foi tecida com cuidado, como vejo você tecer a sua, menina.
certas armadilhas nos fazem amadurecer rápido, você muito bem sabe.
o tempo fez de nós velhos jovens.
Velhos jovens que nauseiam diante da limitação imposta por valores morais antiquados, reforçados aos quatro cantos por pessoas pouco interessantes.
enfio nelas, agora, o gosto da maioridade.
e você, menina, goza.
olha como giram os ponteiros, na cadência que você gosta.
no atraso do relógio, os que não gozaram na hora passada são os mesmos que fazem piada da juventude.
então goza o tempo.
porque é o tempo que te tem, mulher.
sábado, 14 de novembro de 2009
Texto para amar-elo
Tem olhos de mar calmo
a menina do cabelo amarelo
mas será tão calmo amarela?
tem sorriso claro, não amarelo
a menina do mar calmo
que nada de calma tem
e nada de alma, além
É azul, alma da menina do cabelo amarelo
porque azuis são suas janelas.
fecha a porta e
escapa ao norte,
porque o sul cercou-se
de sentinelas
foge com seu
mar azul, menina
não deixe seu amar sob qualquer guarda que diz amar-elo
a menina - ah, amarela!
você é a cura e a mazela.
O teu azul traça o caminho do horizonte
tal qual o mar
tal qual o céu
não tem final nem fonte.
O que a menina do cabelo amarelo vê
é o infinito em diamante.
deixe que se aventurem no seu mar salgado
sem elo
mas, se te atingirem o horizonte,
menina do cabelo amarelo -
quão cansado estaria esse amante! -
e uma força qualquer
te fizer corresponder a esse amarelo
ofereça um banquete,
esquente teu coração
deixe encharcar teus olhos de água doce
e dê de beber tua emoção.
T.
a menina do cabelo amarelo
mas será tão calmo amarela?
tem sorriso claro, não amarelo
a menina do mar calmo
que nada de calma tem
e nada de alma, além
É azul, alma da menina do cabelo amarelo
porque azuis são suas janelas.
fecha a porta e
escapa ao norte,
porque o sul cercou-se
de sentinelas
foge com seu
mar azul, menina
não deixe seu amar sob qualquer guarda que diz amar-elo
a menina - ah, amarela!
você é a cura e a mazela.
O teu azul traça o caminho do horizonte
tal qual o mar
tal qual o céu
não tem final nem fonte.
O que a menina do cabelo amarelo vê
é o infinito em diamante.
deixe que se aventurem no seu mar salgado
sem elo
mas, se te atingirem o horizonte,
menina do cabelo amarelo -
quão cansado estaria esse amante! -
e uma força qualquer
te fizer corresponder a esse amarelo
ofereça um banquete,
esquente teu coração
deixe encharcar teus olhos de água doce
e dê de beber tua emoção.
T.
domingo, 16 de agosto de 2009
Pra quem sabe tudo
Hoje é o que temos. Amanhã é obscuro.
Talvez todos tenhamos a cegueira branca do Saramago, se falamos de futuro.
Um mar de leite.
Falamos tão claramente, temos todas as certezas, toda a rotina pré-determinada.
Mas o que há pode haver de concreto na fluidez de um mar?
A maré guiada pela lua e, como tal, instável, é concreta.
O seu barco de encontro ao meu nado, é concreto.
Vamos em direção a Ilha dos Amores, buscar o tesouro enterrado por uma criança doce.
Ao menos as fantasias no mar de leite são concretas.
Tainá, que ainda quer terminar isso decentemente, mas precisava escrever algo hoje, por conta do mar de leite.
Abaixo, trechos do filme "O amor além da vida". Dito por Robin Willians é de arrepiar.
Os céticos vão achar bobagem, e eu vou entender!
Mas, enxerguei nesse filme metáforas que se confundem com minha vida. E com outras também, talvez.
Enfim, que se fodam os céticos.
Pra quem entende:
"Eu sinto muito, querida.
Mas tem coisas que preciso lhe dizer e eu tenho pouco tempo.
Desculpe por todas as coisas que eu nunca lhe darei.
Nunca mais poderei lhe comprar um sanduíche de carne com molho extra.
Sempre o de tamanho maior.
Não irei mais fazê-la sorrir.
Eu queria que envelhecêssemos juntos. Dois velhinhos rindo juntos enquanto nossos corpos decaíam.
Juntos, no fim, perto do lago no seu quadro. Era nosso paraíso, lembra?
Há muitas coisas a se perder.
Livros, sonecas, beijos... e brigas.
Nós tivemos algumas fantásticas.
Eu agradeço até por elas.
Agradeço por toda a sua bondade.
Agradeço por nossos filhos. Pela primeira vez que os vi.
Agradeço por ser alguém com quem sempre tive orgulho.
Por sua coragem e por sua doçura.
Pela sua aparência, por querer sempre tocar você.
Você era toda a minha vida.
Peço desculpas por todas as vezes que lhe decepcionei.
Inclusive esta.
...
Aonde vamos, querida?
Em um minuto não saberei mais quem você é, assim como não sabe quem sou.
Mas estaremos juntos. Que é como deve ser.
...
Por ser tão maravilhosa que eu escolhi o inferno ao invés do céu só pra poder ficar com você.
...
ÀS vezes, quando se perde, se ganha."
;)
Talvez todos tenhamos a cegueira branca do Saramago, se falamos de futuro.
Um mar de leite.
Falamos tão claramente, temos todas as certezas, toda a rotina pré-determinada.
Mas o que há pode haver de concreto na fluidez de um mar?
A maré guiada pela lua e, como tal, instável, é concreta.
O seu barco de encontro ao meu nado, é concreto.
Vamos em direção a Ilha dos Amores, buscar o tesouro enterrado por uma criança doce.
Ao menos as fantasias no mar de leite são concretas.
Tainá, que ainda quer terminar isso decentemente, mas precisava escrever algo hoje, por conta do mar de leite.
Abaixo, trechos do filme "O amor além da vida". Dito por Robin Willians é de arrepiar.
Os céticos vão achar bobagem, e eu vou entender!
Mas, enxerguei nesse filme metáforas que se confundem com minha vida. E com outras também, talvez.
Enfim, que se fodam os céticos.
Pra quem entende:
"Eu sinto muito, querida.
Mas tem coisas que preciso lhe dizer e eu tenho pouco tempo.
Desculpe por todas as coisas que eu nunca lhe darei.
Nunca mais poderei lhe comprar um sanduíche de carne com molho extra.
Sempre o de tamanho maior.
Não irei mais fazê-la sorrir.
Eu queria que envelhecêssemos juntos. Dois velhinhos rindo juntos enquanto nossos corpos decaíam.
Juntos, no fim, perto do lago no seu quadro. Era nosso paraíso, lembra?
Há muitas coisas a se perder.
Livros, sonecas, beijos... e brigas.
Nós tivemos algumas fantásticas.
Eu agradeço até por elas.
Agradeço por toda a sua bondade.
Agradeço por nossos filhos. Pela primeira vez que os vi.
Agradeço por ser alguém com quem sempre tive orgulho.
Por sua coragem e por sua doçura.
Pela sua aparência, por querer sempre tocar você.
Você era toda a minha vida.
Peço desculpas por todas as vezes que lhe decepcionei.
Inclusive esta.
...
Aonde vamos, querida?
Em um minuto não saberei mais quem você é, assim como não sabe quem sou.
Mas estaremos juntos. Que é como deve ser.
...
Por ser tão maravilhosa que eu escolhi o inferno ao invés do céu só pra poder ficar com você.
...
ÀS vezes, quando se perde, se ganha."
;)
sábado, 25 de julho de 2009
Modernidades
quero que a serpente que norteias morda fundo
quero que o soro que anseias pingue longo
e, como vagabundo, deixe que meu corpo caia.
se choras, quero que o motivo do seu pranto seja a saia
que levanto descarada,
aos únicos olhares que vaiam o teu canto.
quero que me castige, por cobiçar estúpidos
e tão logo me possua
e igualmente me cobice
e perceba assim que a estupidez
está mais perto que a velhice.
ainda tenho pulmões jovens e boas pernas
que de nada me valem, se sufoco e tremo.
enquanto rega e afaga minhas costas,
navego e me afogo no seu corpo-remo.
somos mútua ceia, não adoce demais o prato
tampouco faz do sexo farto, um torto agrado
há que entender do tântrico e também do sado.
mas, se no ato me arrancar o pulso, quero que
tua teia teça nova veia.
Porque eu sou jovem, estúpida e ainda quero envelhecer ao seu lado.
Tainá
quero que o soro que anseias pingue longo
e, como vagabundo, deixe que meu corpo caia.
se choras, quero que o motivo do seu pranto seja a saia
que levanto descarada,
aos únicos olhares que vaiam o teu canto.
quero que me castige, por cobiçar estúpidos
e tão logo me possua
e igualmente me cobice
e perceba assim que a estupidez
está mais perto que a velhice.
ainda tenho pulmões jovens e boas pernas
que de nada me valem, se sufoco e tremo.
enquanto rega e afaga minhas costas,
navego e me afogo no seu corpo-remo.
somos mútua ceia, não adoce demais o prato
tampouco faz do sexo farto, um torto agrado
há que entender do tântrico e também do sado.
mas, se no ato me arrancar o pulso, quero que
tua teia teça nova veia.
Porque eu sou jovem, estúpida e ainda quero envelhecer ao seu lado.
Tainá
terça-feira, 7 de julho de 2009
Tela
Contemplo hoje o quadro de um desconhecido. A emergente colecionadora se emociona ao vender fotografias antigas em troca da art nouveau. Ela, aflita diante de um quadro sem autor, forja assinatura de renome; assina Álvaro de Campos na figura campestre. Pessoa, mestre fingidor, vibra.
Nunca vi heterônimo pintor, nem poeta que preste.
Contemplo então o corpo de uma desconhecida, a posar. Vejo agora a art nouveau fotografada. Ele te foca e faz da luz cores de deserto. Eu vejo.
Caminho firme e lanço a bússola do desencontro: nem sul, nem norte - à nordeste.
Atravesso a frente da lente. Te ponho nas costas, carrego teu corpo comigo.
Impeço a concretização de tamanho perigo; ninguém suportaria a eternidade do seu olhar.
Só os amantes.
Seu corpo foi feito pra um poeta assinar.
T. L.
Nunca vi heterônimo pintor, nem poeta que preste.
Contemplo então o corpo de uma desconhecida, a posar. Vejo agora a art nouveau fotografada. Ele te foca e faz da luz cores de deserto. Eu vejo.
Caminho firme e lanço a bússola do desencontro: nem sul, nem norte - à nordeste.
Atravesso a frente da lente. Te ponho nas costas, carrego teu corpo comigo.
Impeço a concretização de tamanho perigo; ninguém suportaria a eternidade do seu olhar.
Só os amantes.
Seu corpo foi feito pra um poeta assinar.
T. L.
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